14/12/13

A hora mágica do banho


É no meio de água morna, produtos suaves, bolhas e toalhas macias que acontece um dos pontos altos do dia do bebé e dos pais. O banho descontrai toda a gente e cria laços de amor.
Seja pela fresquinha, de manhã, ou ao final da tarde, quando o descanso noturno se aproxima, o banho é uma das rotinas mais importantes dos dias de bebé. Para além das questões de higiene, é entre água tépida, produtos, esponjas e toalhas suaves que são criados momentos preciosos de contato pele com pele, massagens, mimo, amor.

O momento do banho deve ser único e mágico”, considera Maria João Palaré, para quem “esta deve ser a altura em que ele relaxa” e dilui tensões. Para a pediatra do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, é importante fazer desta uma ocasião diária. No entanto, a opinião não é partilhada por todos os profissionais de saúde. Há quem defenda que, enquanto o bebé não gatinha - não contactando, por isso, com superfícies pouco limpas - não é necessário entrar na banheira todos os dias. Tudo em nome da preservação do equilíbrio da pele, em especial da camada lipídica, ou de gordura, que a hidrata e protege.
28
“Não vem mal ao mundo se o bebé pequenino não tomar banho todos os dias”, afirma a dermatologista Leonor Girão, ressalvando, porém, que a higiene deve ser mantida permanentemente, em especial na zona da fralda, cara, pescoço, axilas e mãos. “A área genital, para além de estar em oclusão, isto é, tapada pela fralda, cuja composição para evitar fugas não deix pele respirar, também se encontra em contato permanente c urina e fezes”. Por sua vez, Maria João Palaré recorda que “ vezes, umas fezes mais ácidas ou em contato mais prolonga com a fralda molhada são responsáveis por lesões localizada O mesmo acontece nas dobras de pele, os chamados “refego nos quais a transpiração pode criar um caldo de cultura pa desequilíbrios da epiderme.
Na limpeza destas áreas, as toalhitas, sem perfumes ou c lorações, são uma opção prática, mas podem ser substituíd por compressas embebidas em água morna, em especial se pele não tiver sujidade sólida ou apresentar irritações.
Um outro ponto que divide opiniões é a aplicação de cre ou pasta de cada vez que a fralda é mudada e nos casos em q a pele não está lesionada ou inflamada. “As dermatites da zo da fralda são importantes e não devem ser consideradas co~ situações normais. A melhor prevenção passa pela manutenç de uma pele limpa e seca”, defende a pediatra, adiantando q “em peles suscetíveis, pode utilizar-se um creme hidratan protetor, aplicando uma camada fina bem espalhada”. Leon Girão reforça esta ideia: “não é necessário deixar uma gran quantidade de produto na pele, até porque pode ser contrapr ducente. Mas uma barreira que impeça a sujidade de contact a epiderme faz todo o sentido”.

Recreio aquático
A altura do banho é também ideal para brincadeiras. Mesmo antes de se encantar por patinhos de borracha, o bebé delira com as sensações de água na pele e encanta-se com o respingar, o borbulhar, o chapinhar e todos os outros sons que acontecem dentro da banheira. Quando chega a altura dos brinquedos, é importante escolhê-los bem: como provavelmente ele passará a vida a mordê- los, os modelos suaves, sem arestas pontiagudas nem peças pequenas e/ou amovíveis e sem tintas tóxicas ou que possam sair pelo efeito da água ou produtos de higiene.
O banho não tem de ser um programa para apenas dois, mesmo que a manipulação do bebé seja feita pelo pai ou pela mãe. Avós, tios e irmãos podem ser convidados a participar, nem que seja com cantigas, lengalengas ou outras brincadeiras. No entanto, é importante ter a certeza de que o bebé esteja sempre seguro. É que o entusiamo pode ser suficiente para movimentos bruscos que o desequilibrem ou que lhe façam entrar água para os olhos, nariz e boca.