05/01/14

Canguru x Sling?

Atualmente muitas marcas conhecidas de puericultura oferecem ao público carregadores de bebês como mochilas (também conhecido como canguru) de “nova geração” (BabyBjörn, Chicco, Bebé Confort, Jané, Graco..).  As principais diferenças entre estes e os carregadores de bebê tadicionais e ergonômicos descritos nestas páginas são as posturas adotadas pelo bebê neles. Se observarmos um bebê em uma destas mochilas (cangurus), podemos constatar que a postura da cadeira (onde o bebeê senta) não é correta. Habitualmente observamos que as pernas do bebê ficam penduradas em relação ao resto do corpo, e não dobradas no estilo “rã” (postura que favorece o desenvolvimento das articulações dos quadris). Com as perninhas penduradas, o peso do bebê é fica apoiado diretamente na zona genital ao invés do seu bumbum, e sua coluna adquire uma postura não-fisiológica.


Exemplo de mochila ergonômica: a bacia em posição correta, joelhos mais altos que os quadris, o bebê não fica pendurado pois o carregador o sustenta totalmente.

 A postura de “rã” consiste em levar o bebê no colo com as pernas abertas em cerca de 45° em relação ao eixo corporal (abertura total entre as pernas de 90°), e o quadril flexionado de maneira que os joelhos fiquem à uma altura ligeiramente superior ao bumbum. Isso permite que a cabeça do fêmur fique perfeitamente encaixada dentro da articulação do quadril e é a posição fisiologicamente correta, é uma postura ótima, e previne problemas posteriores desta articulação. Esta técnica de encaixamento ajuda a resolver casos de displasia de quadril leves.
Uma boa maneira de saber se um bebê está bem colocado (ou está em um bom carregador de bebê) é se os pés são vistos pelo outro lado.. na posição frontal (barriga-barriga) se vê por trás e no quadril vê-se pelo lado oposto.


Existem também slings “de nova geração” que podemos encontrar facilmente no mercado, nos quais se pode colocar o bebê em posição sentado, como os slings de argolas (ring slings) ou o pouch sling. Nestes slings consegue-se uma posição correta para o bebê, porém se o ajuste não for correto o bebê pode ficar muito baixo, podendo causar incômodo e dores para quem carrega.
Além disso, nas fotografias promocionais destas mochilas mais comerciais sempre aparecem os bebês olhando para a frente. Esta postura é totalmente contra-indicada. Esta posição obriga o bebê a curvar a coluna na posição contrária à fisiológica, ficando mais ereta, e o deixa exposto à uma infinidade de estímulos diretos, sem possibilidade de proteção, uma vez que não pode se virar. Outro fato é o incômodo para quem está carregando, já que o bebê tende a posicionar sua coluna e separar seu corpo de quem o leva e altera o centro de gravidade do mesmo, obrigando-lhe a modificar sua postura correta com consequentes problemas nos ombros e coluna e sobrecarga do assoalho pélvico.

Exemplo de mochila tradicional: as pernas do bebê não ficam corretamente posicionadas, o peso do bebê recai unicamente sobre sua zona genital.
Exemplo de mochila tradicional: as pernas do bebê não ficam corretamente posicionadas, o peso do bebê recai unicamente sobre sua zona genital.



Posição correta de um carregador de bebês: curva da coluna em C, pernas em M e joelhos mais altos que o quadril.
Posição correta de um carregador de bebês: curva da coluna em “C”, pernas em “M” e joelhos mais altos que o quadril.


Posição ERRADA em um carregador de bebês: bebê olhando para a frente, pernas penduradas forçando os quadris, coluna reta e bebê muito baixo.
Posição ERRADA em um carregador de bebês: bebê olhando para a frente, pernas penduradas forçando os quadris, coluna reta e bebê muito baixo.