07/05/15

Wrap sling, qual tecido escolher?

-Cotton (malha de algodão com uma pequena porcentagem de spandex ou elastano):    


Algumas grandes marcas de porta bebês produzem wraps elásticos, de malha. Chamamos elásticos aqueles tecidos feitos de malha de tecido natural, geralmente algodão, com uma pequena porcentagem de elastano ou spandex, que faz com que ele se estique em todas as direções.

Resulta um tecido muito amoroso, quase uma segunda pele, ele é especialmente útil e gostoso para pais iniciantes no babywearing (por sua facilidade de uso) e para os primeiros meses do bebê.

Quem compra um wrap elástico deve saber que depois de alguns meses vai ter que comprar outro porta bebê mais adequado, pois os elásticos não firmam a tensão e rebotam quando são usados com bebês que já pesam mais de 8-10kg. Ainda da para usar com crianças maiores, mas a sensação de suporte não é a mesma.

Uma das grandes vantagens deles frente a wraps não elásticos é o fato de podermos fazer pré-amarrações, que nos permitem colocar e tirar o bebê de lá dentro sem desfazer a amarração. Isso nos permite sair de casa com o wrap já amarrado e, chegando ao destino em carro, poder colocar o bebê dentro sem ter que arrastar as pontas dele durante a amarração em um estacionamento, por exemplo. Isso só o permitem os wraps elásticos . Não podemos fazer isso com um wrap sem elastano, e pretender que fique bem ajustado, porque para conseguir colocar o bebê dentro do wrap já amarrado que não se estica, devemos deixa-lo frouxo, senão não cabe. E se está frouxo, não da sustentação. E a sustentação adequada é fundamental para um babywearing de qualidade.



-Sarja cruzada 



Ela é um tipo de tecido não elástico que oferece o suporte perfeito para carregar bebês: longitudinal e transversalmente ele não cede, oferecendo um suporte ótimo, sem efeito rebote. Porém nas duas diagonais ele cede, se amoldando as curvas e ao movimento do portador e do bebê portado, oferendo uma segurança, conforto e aconchego que nenhum outro tecido consegue atingir.

Geralmente são feitos em algodão, porém algumas marcas misturam fibra de algodão com outras como linho, cânhamo, bambu, seda ou até lã, outorgando a esses wraps novas qualidades quanto a suporte, frescor, calidez, brilho, etc.

São muito transpiráveis, e portanto geralmente os mais frescos (salvo algumas marcas mais grosas), e permitem um ajuste perfeito, pois uma vez tensionado, o tecido não se afrouxa. Ele também não se dobra sobre si mesmo nem se enrola nas bordas, portanto resulta muito confortável, não ficando, uma vez amarrado, um tecido em forma de “corda fina” nos ombros do portador, ou sob as coxas do bebê.

O grande poder de sustentação fazem deles mais frescos também porque não precisamos de amarrações de várias camadas para dar suporte firme, podendo usar amarrações tipo canguru ou outras que sustenham o bebê apenas com uma camada de tecido. Resulta firme apenas com ela, e também mais fresco.

Quanto mais o usamos, mais suave, maleável e gostoso ao tacto resulta, portanto, em lugar de perder qualidades com o tempo de uso, ganha nelas!


-Malhas de algodão (sem elastano)

Seriam os denominados wraps semielásticos. Isso é porque, mesmo não tendo materiais elásticos na sua composição, como o spandex do cotton, a tecelagem em forma de malha faz com que ele estique. É um tecido de camiseta, de maior ou menor grossor. Ela não estica se você puxa de um extremo? Isso ai.

Não sendo em absoluto o ideal, são wraps que podemos usar nos primeiros meses apenas, e com muito cuidado e conciencia, pois a malha não é um tecido feito para suportar carga. Da mesma forma que não confeccionaríamos uma bolsa de malha, porque se deformaria com o peso do conteúdo, e não daria um suporte adequado, não é nada legal carregar um bebê nesse tecido (eu pessoalmente não o recomendo).

Imaginemos uma camiseta, e agora imaginemos um melão sendo carregado diariamente nessa camiseta. O peso do melão não iria deformando a camiseta? É o que acontece com os wraps de malha, com a diferença de que em lugar de um melão, trata-se de um bebê. Ixi.

Eles são mais frescos, sim, por serem mais finos, e também são 100% de fibras naturais, o que pode ser apresentado como grandes vantagens frente a, por exemplo, o cotton. Mas o fato de serem mais finos traz dois problemas:

1. Por ser mais finos, são menos firmes no suporte, o que nos obriga a tensionar muito se queremos colocar o bebê de forma adequada, sem perder a posição de cócoras e dando suporte à coluna em forma de C. Isso faz com que o tecido acabe se cravando tanto nos nossos ombros quanto atrás das perninhas do bebê. Pois fica uma corda fina apertando essas áreas. Podemos, para evitar isso, despregar o tecido, e assim aliviar essas áreas. Mesmo assim, o suporte não é adequado além dos primeiros três meses, aproximadamente.

2. Pelo fato do suporte ser deficiente, nos vemos obrigados a fazer amarrações de mais camadas para reforçar. Portanto, acabamos usando várias camadas de tecido, o que já não resulta tão fino. Talvez fosse preferível um tecido de melhor suporte, que nos permita fazer amarrações de uma única camada, o que acaba resultando, ai sim, mais fresco ;)

Os wraps semielásticos, ou de malha, pioram ainda quando vem com um quadrado de tecido costurado no meio deles, pois geralmente é usado um tecido plano, não de malha, nesta área, o que impossibilita o ajuste dessa parte, que casualmente é a que segura o bebê. A costura trava a possibilidade de tensionarmos de forma adequada.
Pessoalmente, não investiria em um wrap deste tipo.


-Malha de PV (poliviscose)

Pelo que tenho tocado e visto, o PV da um suporte bem similar ao do cotton, sendo mais fresco que éste. Comparativamente eu acho que seria bem similar em qualidade ao cotton, com a differença de que é 100% sintético, sendo que o cotton é 95% aproximadamente natural (algodão).

-Dry fit (aquele furadinho)



Os wraps de dry fit são perfeitos para “quebrar o galho” em determinadas circunstâncias como, por exemplo, finais de semana na praia. Por quê? Porque eles são frescos (e talvez nem tanto, pois estão feitos com materiais sintéticos!), podem se molhar e sujar de areia, que facilmente eles secam e com uma rápida sacodida estão prontos para o uso.

Por que não tê-lo como porta bebê “oficial” então? Porque de novo nos encontramos com o inconveniente de que é muito fino, e que o tipo de tecido é escorregadio, a amarração vai se afrouxando. E um porta bebê precisa dar suporte a um bebê/criança, e se é muito fino não da suporte adequado, a amarração vai se afrouxando (escorrega), e se crava nos nossos ombros e atrás das pernas do bebê.

Mas como porta bebê de apoio para esses dias específicos, ótimo.


-Viscolycra:


Não, não, não, não e não! Viscolycra é muito barata, e portanto uma tentação para quem não quiser investir muito em um porta bebê. Compra 5 metros deste material e pronto! Mas não é assim... Ela estica, e estica, e estica que não acaba nunca. Portanto nunca da um suporte adequado. O bebê rebota dentro dele, não é seguro, não é confortável (de tanto tensionar para conseguir que pelo menos

fique minimamente ajustado, acaba também se cravando nos ombros e atrás das perninhas do bebê) e ainda é todo sintético. Portanto não permite a pele respirar. Por fino que seja, é quente. O bebê transpira, você transpira. Não comprem viscolycra. Não indiquem viscolycra. Não produçam wraps de viscolycra, por favor. Não é indicado em nenhum momento, nem como “quebra-galho”. Façam um lindo vestido com ele e coprem qualidade, por favor, estamos falando do seu bebê.